segunda-feira, 13 de julho de 2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Olhos no olhos...

Um dia serei mãe e saberei. Mas, fico questionando-me se a atitude que temos com os nossos filhos realmente corresponde àquela mais assertiva e necessária.

Hoje fui fazer cotação em algumas farmácias, duas, para lhes dizer a verdade. E, ao finalizar minhas compras, dirigindo-me ao caixa, veramente reparei no filho de uma moça que se encontrava extremamente agitado. Ele tinha a real intenção de se desvincilhar e fugir. Ela se incomodava tanto com ele! Olhava-o de cima, questionando-o e quando o mesmo fez menção de se desgarrar... agarrou-o pelo casaco e disse, firmemente, "fique aqui!". Mas, o filho relutava.

Então, em um impulso, abaixei-me, agachei-me e olhei para aquele serzinho furioso e perguntei: "mas, porque é que você está tão brabo?". Então, das poucas palavras balbuciadas que entendi daquele pequenino ser... internalizei "... e ela briga comigo". Em seguida, olhei-o bem nos olhos e disse, com carinho, "mas, a mamãe não está brigando com você... é que ficar longe da mamãe é perigoso... e ela quer que você fique bem pertinho. Então, tem que ficar bem pertinho da mãe, tá?". E, assim, ele se acalmou, olhou para mim e disse "tá"...

A cabeça daquela mãe balançava em um sentido que me pareceu: "é, aos outros ele atende" ou qualquer outra coisa como "parece fácil".

Na realidade fiquei com vontade extrema de olhar para ela e dizer: "é, santo de casa não faz milagre!". Contudo, controlei-me para não insistir a proferir esta infame frase e infame conceito, que tanto são dissipados.

Talvez, o que falte a nós, como mães e pais, é desacomodarmo-nos do padrão adquirido do santo... e dar a mão à palmatória de que se agachar ao nível dos nossos filhos e ouví-los, realmente, não é nada feio. É, sim, preciso e produtivo.

No final ficou o carinho do menino... que, ao sair da farmácia pelo corredor dos caixas, olhou para mim e disse: "Tau".

[maiora escrita na presença de uma linda jovem com a qual dividi a mesa no shopping para o almoço. ela se foi e depois que almocei terminei o texto. O som da massa falando aqui é uniforme. portanto, permite desligar-me e mergulhar em meu eu interior.]

quarta-feira, 1 de julho de 2009

As estrelas...

Quando miro as estrelas, lembro de ti.
Creio que é o certo ponto da memória latente que te fez criar-se em mim.
Aquele momento no qual se fez estática a nossa imagem, ali, aqui, dentro do exato ponto que se foi.
Ali, pontual, neural loucura de avanço espacial.
Na grama futura com os filhos, correndo, rindo, loiros e morenos... e os cachinhos com olhos azuis.
Você me prendeu ali e agora, neste ponto exato em que estou, não estou. Pois, fiquei.
Que faço eu com a vida que já criei interna e serenamente com o passar dos minutos?
Não me deixe ir sem motivos ou sem razão.
Livre-me do livro, leia-me, dispa-me de mim....
Vista-se de mim. Mas não me deixe nua, sem ti, aqui.
Espaço neural de avanço no tempo que me faz retroceder a todos os pequenos, poucos e singelos momentos que tive contigo.
Ah, como é duro este espaço-tempo o qual não acontece!
Onde estou? E porque você aos meus olhos?
Tanto, tantos por aí!
E você veio e se fez em meu ser.
Ali, único, momento sereno, nuvem fugaz, olhos que escapam de mim...
Mãos que não me alcançam mais, por opção.
Mas, realmente, sabe ti o que sinto por e somente por ti?
Esse ser que me completa sem querer... sem, ao menos saber que você está aqui.
Dentro, sereno e completo.
Por favor, revolva-se ou me deixe.
E ponha um ponto final neste rondar.
AR!
AH!
[Respiro fundo].
Agora, enfim, já posso gritar.

[ao som de Gravity - Sara Bareilles - cover por Cathyn]

domingo, 31 de maio de 2009

e foi tudo em um sonho...

No encontro noturno, entre os céus... ou o além... lá esteve você e eu.

E da sua singela fala, emaneceu seu amor por mim.


E da dúvida, fez-se a certeza... no mais singelo momento único do tempo.


Te amei desde que toquei por primeira vez que toquei sua mão, lembra-se?


E você disse, e lembrei-me... estava lá na foto... era preto e branca, ou tons de cinza...


No recorte dos dedos, encaixavam-se perfeitamente os meus...


Foto da vida, do momento único a se guardar na memória.


Em outras, não era eu... força da produção, da onde, em princípio, eu não caía bem...

Mas tinha que ser eu... e no seu coração, era eu. E agora eu sei...

Mas o que faço frente ao sonho que se foi, e a lembrança que ficou?


Movo-me? Ato-me ao sonho? Mergulho no escuro claro que se acendeu?


Mas... quantos sonhos já sonhei... e quanto tempo já vivi...


E você me disse, e me beijou, eu te amo...


E me abraçou e me abarcou no seu ser... eterno...


Eterno e singelo meu.

E eu?

E eu.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ensaio sobre a burqa...

Já diria minha irmã que não existe o Oriente, que este á uma costrução mítica tanto instaurada por Delacroix como por seus comparsas... em um ato evidentemente selvagem de unir a todos em uma só massa.

De acordo, mas meu pensamento de inicia com...

Tudo que vem do Oriente nos provoca fascínio.


As vestes, vestimentas, árabes, indianos, sons feitos com a língua, a dança contida, ou de serpente... e os panos, panos, dourados, bordados, amassados, lisos, contínuos e compridos.

Ai, aqueles panos... e o próprio esconder para preservar.

Não sei se é mal de antecedente o que sinto e como ajo, mas meu povo é sírio-libanês. Ao menos, em parte.

Lá viria ela novamente me dizer... tudo é cultural, nada de explicações genéticas e tal.


Mas meu pensamento continua com...


Bom, esse corpo tem informação que pode ter sim tido mutação genética por hábitos e condutas culturais externas.

Volta e meia cubro meu rosto. Não á moda árabe ou indiana... apesar do fascínio.


Faço-o com meu chachecol ou o esquentador de pescoço, que tenho.

Então, a percepção toda muda.

Sempre preocupada com o quesito segurança, meu olhar é inquieto e os ouvidos estão sempre alerta.

Nos vidros do carro a fresta impera. O som é desligado para estacionar. O corpo reaje ao simples barulhos estranho. Os olhos espicham...

Mas, com "a burqa"... a percepção toda muda.


A visão lateral não alcança em seus devidos graus. A audição fica filtrada, tapada, velada. Enxerga-se em "uma só direção", o Norte.

Os olhares avivam-se. Não sei se por estranheza a curiosidade.
Então, pensei comigo. E, enfim, a que propósito direcionar olhar, velar audição...
A interiorização incomoda a certo, ponto...
E quem aprendeu a se guiar, consegue aprender a ser guiada?
Eterna vida de ceder-se!