domingo, 17 de outubro de 2010

Save the last dance

Would you save the last dance for me?

Gosto da dança, principalmente no que toca a cumplicidade. É um ir e vir constante... do qual, também, depende o espaço entre si. Invasão e recuo. Reciprocidade e opostos. O corpo vai e vem e se parece cair no vazio logo chega a mão, o joelho ou o pé para dar a certeza de que o outro ali está. A surpresa dispersa e enobrece.

Gosto de ter a presença do outro e o anteparo. Paro? Não, continuo... e com resposta ao ínfimo estímulo dele. Pêndulo, balança que se complementa.

Surpreendo a responder a sua intenção. É como a ligação entre os seres avatares. Conexão em um só bloco que se contorce e retorce. Lentidão, interpretação sem nulidade. Não há o nulo... há o tudo.

A dança enobrece a alma e mobiliza o corpo e a mente. Meus reflexos são mais pontuais e precisos... Respiração, expiração, inspiração. Ação conjunta, latente e demente que desconstrói o renomado compasso do que ouço.

É pele e pelo. Um cheiro que passa e a lembrança que retorno.

A dança nos transporta os primórdios. Arte da seducão implícita e pouco explícita - se assim se desejar.

Corpos que vem e vão, invasão a aura da segurança, couraça, camada que incutimos a nós. Permissão contínua de entrada e desenvolvimento de tenacidade.

Idade.

Quesito de última dança.

Respiro ritmado.

Arte que se permeia no que se tem.

Ato ilícito.

Ato empírico.

Conectividade extrassensorial.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Despotencialização dos meios.

Eu estava questionando-me um outro dia: o que eu faço com e na Internet. De repente, vi que meu nível de circulação encontra-se restrito a sites de comunidades virtuais como o orkut, facebook, twitter (do qual - thanks, God! - eu já saí), formspring (no qual nada me perguntam), msn (na qual pouca gente interessante contata-me) e meu e-mail. Isto, falando a nível de pessoalidade, é claro.

O que estas ditas ferramentas acrescentam a minha vida: propriamente dizendo? O quanto eu cresci desde comecei a usá-las - em outros níveis, em outros tempos - desde bem nova? Lembro que fui moderadora do mIRC. Alguém se lembra desta? Aprendi netiqueta desde essa época...

Mas, retornando ao tema... parece que, por muitas vezes, deti-me no óbvio. E para alguém tão questionadora... parece que essas pequenas máquinas de nos fazer afundar em frente ao computador impulsionam-nos a esse estado de letargia.

É claro que concordo com os que protestam e dizem: "ó, veja o mundo que está na sua frente: tudo está aí, ao alcance de suas mãos". Mas, minhas mãos estão preparadas para agarrar o mundo e dizer: "vam'bora que ele também é meu?".

O que as pessoas fazem nessas redes sociais? Sim, há um mundo lá... mas é um mundo real? Não seria mais real conversar com alguém que senta ao seu lado no ônibus, ou conhecer o seu vizinho de prédio?

Outro dia ouvi algo engraçado sobre pessoas que moravam na mesma casa e mandavam e-mail umas para outras contando de certa novidade, enviando convites para festas. Aliás, eu faço isso... de vez em quando.

Valorizamos tanto o individual, que o coletivo se perde em desuso... até mesmo na Internet. Somos bombardeados para saber sobre o alheio - e não conhecer a este alheio (que é um reflexo de nós) - e, então, afundamo-nos em comentários bobos e conversas idiotas sem fim.

Não gosto do que é promíscuo, ao menos não na maioria do tempo. Promiscuidade, facilidade, ser entregue demais, banaliza o que somos.

Enfim, pensamentos de quem... provavelmente... cometerá um orkutcídio.

Poxa, quer falar comigo, não manda um "scrap": LIGA-ME!!!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Morno vento.

É outono.
Pela terra caminha um ar morno que acaricia minha epiderme.
Toca-me a nuca e se esvai de norte a sul.
Percorre a extensão dos meus ombros e desce por meus braços.
Em um instinto de resposta, arrepio-me.

Em uma dessas tardes de outono nas quais o sol aquece minha pele, ouço sua voz pela primeira vez.
"Você me chamou?"
Já sinto a sua presença no meu dia a dia.
Dou uma longa risada, fecho os olhos e te vejo.
"Vem" - sigo, sempre.
E quando abro os meus olhos novamente só vejo o teu vulto.
"Acredita." - eu tento.

"Não tente. Acredite."
Tá. Fecho meus olhos e te vejo.

Não consigo te definir.
Faltam-me palavras.

Chegamos a árvore mais frondosa do campo.
Subo sem esforço.
Um simples impulso e voo.
"Vem" - eu vou.

Estamos no alto.
Ah! Que lindo! Vejo os campos e a plantação: trigo, eles são dourados como o cabelo do Pequeno.
"Vem!" - sabes que não precisa mais pedir.
"Tudo bem, entendi."
Nos seus braços estou sempre completa.

Espera-me!
Ei!
Já desço da árvore sem ti.

Não vá!

De súbito abro os olhos.

Desço sem esforço.
Um simples impulso e já não sinto a gravidade... flutuo até o chão.

Meus pés sentem a terra e nutro-me.

É outono.
E o morno vento vem, novamente, encontrar-me.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Eu já tenho mãos de trinta...

Agora, ao olhar para as minhas mãos...
percebi que já tenho uma mão de trinta.
A pele é marcada pelo tempo,
vários sulcos percorrem os meus dedos.

Mas tantas marcas? O que fizeram?

Amaram imensamente... araram a terra.
Dos meus dedos saíram carícias e vida!

Na parte interna há sulcos também.
Alguns dizem marca meu destino e minhas memórias.
A linha do meu coração está tão tênue!

Já não a encontro no M.

Os dedos dobram, mas minha identidade continua ali.
Desenhos únicos frente a uma multidão.
Sulcos individualmente desenhados.

Com todo cuidado eles foram feitos.
E elas, certamente, assim foram escritas.

Certeza só... águas ainda correm por ali.
Craquelo porque sou viva.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Das minhas despedidas escritas... e das reais.

Quem me conhece e me curte... conhece os meus abraços...

Gosto de braços com vida e apertados. Gosto de sentir o outro junto a mim. Assim é com amigos queridos e com os amores, também. Gosto de pessoas que se entregam. E se for beijo com abraço, melhor ainda. Aliás, beijo com abraço é meu lema. Eu beijo e depois abraço. Os beijos dos amigos são no rosto. Os beijos nos pais e na irmã são na testa, por vezes. É no abraço que sinto a troca de energia. É assim que gosto de viver.

Mas, quando não há intimidade um abraço parece algo tão vil, sem valor. Quando ainda não há intimidade eu não consigo enviar abraços, por e-mail, por exemplo. Aliás, eu raramente envio "abraços".... pois eles parecem tão impessoais! E não consigo enviar beijos, também. Quando a "minha" mãe norte-americana me envia "rugs" - rsrsr - eu posso sentí-los, aqui. Mas, sem intimidade não há entrega... e os abraços nesse caso ficam sem sentido.

Por isso, na maioria das vezes eu escrevo "grata", pois agradecida eu posso ficar pela simples existência.. e para tal, não há necessidade de intimidade. Normalmente quando escrevo que estou grata, I mean it - é gratidão, mesmo!

Em outras oportunidades, por eu conseguir ter uma correlação direta tão rápida com a boa energia de algumas pessoas... morro vontade de enviar beijos já de início de conversa. Beijos, bjoka, bjunda (esse é para amigas e para a mana), bjo na ponta do nariz, beijo no coração, beijo apertado... beijo na bochecha, beijão, beijaço... Mas, tenho aprendido a esperar um primeiro passo... já que sei que sou doida, por definição, e nem sempre a pessoa já sente a ótima troca de energia.

Mas, enfim... se ainda não te mandei um beijo pela comunicação escrita (e isso te intriga)... é porque, talvez, não sinta a devida possibilidade de intimidade ofertada. Quem sabe você possa dar um primeiro passo... rsrsrs...

Em muitas vezes, não é a vontade a qual me falta... rsrsrs...

Ahaha... esses meus posts...

Bjão para os meus leitores fiéis!