O que te desconcerta
Sossega ou Apressa seu olhar?
Sou eu ou a janela que se move por imagens estáticas?
Estranho teu manho.
Tuas mãos são mãos que aceitam e desconhecem.
(Tuas mãos são que acertam e desconcertam)
Agora não te vejo mais.
Por onde andam seus olhos?
(Por onde anda teu olhar?)
Parou onde? Na próxima estação?
Só o vão do ombro vermelho ficou
(transcrito ao som de Yann Tiersen)
(em janeiro/2008 - no trem - SP - ao retorno a Curitiba)
(Themis Salem)
quinta-feira, 2 de abril de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
Os nossos sonhos...
Quem não tem sonhos, que atire a primeira nuvem passageira.
Sonhos são os desejos que nos movem e parecem dar sentido a nossa vida e nossos atos.
Mas, enfim, será que é só para isso que servem os nossos sonhos?
Pergunto-me isso, atualmente. O dilema entre o dever, real, o querer ser... onde está o divisor de águas?
A plena necessidade de sustento físico, que certamente apoia o sustento espiritual, faz-se presente.
Mas é possível querer e ser, ao mesmo tempo?
Como saber? Tentando?
Eu tenho sonhos, alguns "bobos", por assim dizer. E eles me alimentam. Por vezes, consomem-me.
Consomem-me quando não consigo realizá-los. Mas, se pensarmos que sonhos são para ser sonhos... só servem para nos mover e não serem realizados... então, contradigo-me.
Meus sonhos partem dos mais simples ao mais luxuosos.
A banda de música que ainda quero ter. Minha vida como um musical. O sonho a dois e a casa com cômodos em estilo mundial. O pé-direito alto. Não o meu, o da parede. Escrever e entreter. Ensinar a ser mais, alguém, livre das amarras da vida. Os três filhos, que hão de vir. A paz, entre si e entre todos. A igualdade e não sofrimento do próximo. Andar de patins nas ruas do expresso. Dançar e dançar e dançar e dançar e dançar a vida toda, sentindo prazer e proporcionando prazer. Olhar e ser olhada. Registrar a vida do seu mais ínfimo ao mais grandioso momento pela lente angular. Beijar a sobrancelha em um ato de amor. Estar preparada para salvar vidas. Escrever e escrever e escrever e escrever mais, para dizer o que penso, sinto, vejo, indago, reajo... almejo e desejo. E assim, ser completa em mim.
São muitos, são caros e baratos... mas são meus, e por isso são grandes. São meus e por isso são preciosos...
Quem sabe um dia... quem sabe.
Sonhos são os desejos que nos movem e parecem dar sentido a nossa vida e nossos atos.
Mas, enfim, será que é só para isso que servem os nossos sonhos?
Pergunto-me isso, atualmente. O dilema entre o dever, real, o querer ser... onde está o divisor de águas?
A plena necessidade de sustento físico, que certamente apoia o sustento espiritual, faz-se presente.
Mas é possível querer e ser, ao mesmo tempo?
Como saber? Tentando?
Eu tenho sonhos, alguns "bobos", por assim dizer. E eles me alimentam. Por vezes, consomem-me.
Consomem-me quando não consigo realizá-los. Mas, se pensarmos que sonhos são para ser sonhos... só servem para nos mover e não serem realizados... então, contradigo-me.
Meus sonhos partem dos mais simples ao mais luxuosos.
A banda de música que ainda quero ter. Minha vida como um musical. O sonho a dois e a casa com cômodos em estilo mundial. O pé-direito alto. Não o meu, o da parede. Escrever e entreter. Ensinar a ser mais, alguém, livre das amarras da vida. Os três filhos, que hão de vir. A paz, entre si e entre todos. A igualdade e não sofrimento do próximo. Andar de patins nas ruas do expresso. Dançar e dançar e dançar e dançar e dançar a vida toda, sentindo prazer e proporcionando prazer. Olhar e ser olhada. Registrar a vida do seu mais ínfimo ao mais grandioso momento pela lente angular. Beijar a sobrancelha em um ato de amor. Estar preparada para salvar vidas. Escrever e escrever e escrever e escrever mais, para dizer o que penso, sinto, vejo, indago, reajo... almejo e desejo. E assim, ser completa em mim.
São muitos, são caros e baratos... mas são meus, e por isso são grandes. São meus e por isso são preciosos...
Quem sabe um dia... quem sabe.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
No final da prateleira
Ele era sempre deixado no final da prateleira, como se fosse vergonha ser como ele era. Não, ele não era igual aos outros e sempre que algum cliente perguntava “E aquele, Seu Moura?” ele respondia “Tá com defeito, por isso é que está tão barato assim”. E com essa resposta o cliente sossegava, comprava outra coisa e ia embora.
E ele, lá no final da prateleira tentava se ajeitar, ajustar-se, e fazer aqueles “bips” como “bips” e não “borótibipeps”. Forçava sua voz, até às vezes chegar ao cúmulo de recarregar as suas energias em poucos dias, pois se cansava para tentar se conformar nos ditos padrões. E foi assim, durante 7 anos, até que resolveu “Quer saber? Vou afinar-me e cantar em lírico meu “borótibipeps“.
Certo dia estava ele a cantarolar (fora de hora) e entrou na loja um cliente que ele nunca tinha visto. Foi incrível, o velho cliente de Seu Moura, Magus, grudou os olhos nele e ele grudou os olhos no cliente. Então apareceu Seu Mora: “Olá Magus! Há tempos não aparece, não é?” e ele respondeu “Aquele ali, quanto é?”, e Seu Moura responde “Qual? Aquele? Ah! Está com defeito... o senhor não vai querer...”, “Quanto é?” retrucou Magus, “Está há tanto tempo aí que o senhor pode levar se quiser”. Magus nem pensou sete vezes, pediu para Seu Moura embrulhar porque daria de presente.
Chegando em casa, Magus entrou em seu quarto, olhou para o espelho e disse: “para você com carinho”, desembrulhou o relógio e colocou-o na cabeceira, no lugar mais privilegiado e durante muitos séculos bateu longos e instrutivos papos com ele.
É, Seu Moura não acreditava em objetos mágicos, foi por isso que não deu atenção quando sua sobrinha lhe trouxe aquele livro de capa roxa. É, Seu Moura nunca leu um conto-de-fadas.
Themis Robert Salem (15/09/2003)
E ele, lá no final da prateleira tentava se ajeitar, ajustar-se, e fazer aqueles “bips” como “bips” e não “borótibipeps”. Forçava sua voz, até às vezes chegar ao cúmulo de recarregar as suas energias em poucos dias, pois se cansava para tentar se conformar nos ditos padrões. E foi assim, durante 7 anos, até que resolveu “Quer saber? Vou afinar-me e cantar em lírico meu “borótibipeps“.
Certo dia estava ele a cantarolar (fora de hora) e entrou na loja um cliente que ele nunca tinha visto. Foi incrível, o velho cliente de Seu Moura, Magus, grudou os olhos nele e ele grudou os olhos no cliente. Então apareceu Seu Mora: “Olá Magus! Há tempos não aparece, não é?” e ele respondeu “Aquele ali, quanto é?”, e Seu Moura responde “Qual? Aquele? Ah! Está com defeito... o senhor não vai querer...”, “Quanto é?” retrucou Magus, “Está há tanto tempo aí que o senhor pode levar se quiser”. Magus nem pensou sete vezes, pediu para Seu Moura embrulhar porque daria de presente.
Chegando em casa, Magus entrou em seu quarto, olhou para o espelho e disse: “para você com carinho”, desembrulhou o relógio e colocou-o na cabeceira, no lugar mais privilegiado e durante muitos séculos bateu longos e instrutivos papos com ele.
É, Seu Moura não acreditava em objetos mágicos, foi por isso que não deu atenção quando sua sobrinha lhe trouxe aquele livro de capa roxa. É, Seu Moura nunca leu um conto-de-fadas.
Themis Robert Salem (15/09/2003)
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Ah, eu não quero dormir...
Eu quero ver a vida passar, colado, ao meu lado, ali, assim, perto, certo.
Nada de devaneios, não se distraia.
Não quero o vão da ação, quero o certo correto ereto, não disperso.
Ah, eu não quero dormir.
Quero sentir e correr, valer o que der, e se fizer.
Não quero dormir, mas quero sonhar.
Naquele ínfimo olhar em que resta luz, réstia que me conduz.
E flutue... não polui, se faz mar.
Sofismar mais, não jamais.
Sofisma minha sina de viver e ser o que é ter dom.
Som, tom, cor, dor... ah! A dor eleva.
Que EVA, sina de viver, ser ter, comer, correr, meter...
A colher no bolo de laranja.
Franja... ui!
Canja... ui!
Tansa, sem carne, arde.... eca!
Jeca!
Meleca!
Furreca!
PAZ
Nada de devaneios, não se distraia.
Não quero o vão da ação, quero o certo correto ereto, não disperso.
Ah, eu não quero dormir.
Quero sentir e correr, valer o que der, e se fizer.
Não quero dormir, mas quero sonhar.
Naquele ínfimo olhar em que resta luz, réstia que me conduz.
E flutue... não polui, se faz mar.
Sofismar mais, não jamais.
Sofisma minha sina de viver e ser o que é ter dom.
Som, tom, cor, dor... ah! A dor eleva.
Que EVA, sina de viver, ser ter, comer, correr, meter...
A colher no bolo de laranja.
Franja... ui!
Canja... ui!
Tansa, sem carne, arde.... eca!
Jeca!
Meleca!
Furreca!
PAZ
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Por vezes parece que a vida está para começar...
É um pause. Aquele devaneio existente entra a vida e não vida. O pause. Aquilo parado. Nada de tropeções e encontros. O silêncio impera. O tilintar dos pássaros não se ouve. Contentação. Lamentação. Sufoco. Sufoco-me neste ar que inexiste. E caio.
Caio tão rápido que a ação da grávida se inverte e eu vôo. Tudo mudou. Vira a vida. Vira a bola de cristal. A neve vai para cima, mas o ar não importa mais. Caio. E caio de novo.
Chão. Terra firme. Quem diria no meio de tanto eu. Eunuco. Eu nunca. NUNCA.
Nuca. Sim, é a parte de trás da cabeça qual a qual não tenho contato mais. Ficou lá. Parada, avessa ao novo.
OVO. Objeto Voador Ovacionado. Ado. Dado. Calo. DESMAIO.
Desmaio, sem ar novamente. MENTE. Que faço mente e tente, reinvente.
E no mais espero, tolero, bolero que embala meu corpo e meu viver.
E o pause está lá, pronto para ser apertado.
CALADO
AMADO
Pause.
Aperta o PAUSE que eu quero VIVER!
Caio tão rápido que a ação da grávida se inverte e eu vôo. Tudo mudou. Vira a vida. Vira a bola de cristal. A neve vai para cima, mas o ar não importa mais. Caio. E caio de novo.
Chão. Terra firme. Quem diria no meio de tanto eu. Eunuco. Eu nunca. NUNCA.
Nuca. Sim, é a parte de trás da cabeça qual a qual não tenho contato mais. Ficou lá. Parada, avessa ao novo.
OVO. Objeto Voador Ovacionado. Ado. Dado. Calo. DESMAIO.
Desmaio, sem ar novamente. MENTE. Que faço mente e tente, reinvente.
E no mais espero, tolero, bolero que embala meu corpo e meu viver.
E o pause está lá, pronto para ser apertado.
CALADO
AMADO
Pause.
Aperta o PAUSE que eu quero VIVER!
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