O que fazer para ser amado? Ou ser amado deveria ser um processo natural? Não basta olhar e sentir o outro? E abraçá-lo quando ele se sente só? Não basta dar um sorriso ou uma simples ajuda, dica ou auxílio... para que o outro seja cada vez melhor?
O que é necessário para ser amado? Ser amado não é trocar? Uma simples troca de energia?
Amar parece-me algo tão simples e inerente ao ser humano. Amar parece-me um ato de se identificar com o próximo.
Amo as pessoas simplesmente ao olhá-las. Gosto de trocar ideias e conversar, por vezes, com aquele que a sociedade considera um ninguém. Gosto, também, de olhar os que são aceitos de bom grado pelo social. Divido-os, infelizmente, pelo própria categorização social arraigada a minha cultura e meu olhar elencador.
Amar completa-me, mas a outra parte de ser amado... deixa-me um pouco vazia. Ou será que meu ato de amar ao próximo está colado ao conceito próprio de que devo ser amado por ele? E isto seria considerado não amar? A necessidade de troca poderia, quem sabe, ser classificada por interesse?
"Você ama para ser amado... ou simplesmente para amar?".
Não sei se há ser tão completo nesta terra que se baste por si só...
Tenho meus seres amados e já amigos completos aqui dentro de mim.
Mas, faltam-me alguns para os quais já dediquei amor.
Um amor cedido para um crescimento mútuo. Sim, pois não fazemos coisas para gerar a nossa estagnação... mas, buscamos coisas para crescer em conjunto. Ao meu simplório ver, sinto que deveria ser assim.
Sinto que deveria ser assim.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Save the last dance
Would you save the last dance for me?
Gosto da dança, principalmente no que toca a cumplicidade. É um ir e vir constante... do qual, também, depende o espaço entre si. Invasão e recuo. Reciprocidade e opostos. O corpo vai e vem e se parece cair no vazio logo chega a mão, o joelho ou o pé para dar a certeza de que o outro ali está. A surpresa dispersa e enobrece.
Gosto de ter a presença do outro e o anteparo. Paro? Não, continuo... e com resposta ao ínfimo estímulo dele. Pêndulo, balança que se complementa.
Surpreendo a responder a sua intenção. É como a ligação entre os seres avatares. Conexão em um só bloco que se contorce e retorce. Lentidão, interpretação sem nulidade. Não há o nulo... há o tudo.
A dança enobrece a alma e mobiliza o corpo e a mente. Meus reflexos são mais pontuais e precisos... Respiração, expiração, inspiração. Ação conjunta, latente e demente que desconstrói o renomado compasso do que ouço.
É pele e pelo. Um cheiro que passa e a lembrança que retorno.
A dança nos transporta os primórdios. Arte da seducão implícita e pouco explícita - se assim se desejar.
Corpos que vem e vão, invasão a aura da segurança, couraça, camada que incutimos a nós. Permissão contínua de entrada e desenvolvimento de tenacidade.
Idade.
Quesito de última dança.
Respiro ritmado.
Arte que se permeia no que se tem.
Ato ilícito.
Ato empírico.
Conectividade extrassensorial.
Gosto da dança, principalmente no que toca a cumplicidade. É um ir e vir constante... do qual, também, depende o espaço entre si. Invasão e recuo. Reciprocidade e opostos. O corpo vai e vem e se parece cair no vazio logo chega a mão, o joelho ou o pé para dar a certeza de que o outro ali está. A surpresa dispersa e enobrece.
Gosto de ter a presença do outro e o anteparo. Paro? Não, continuo... e com resposta ao ínfimo estímulo dele. Pêndulo, balança que se complementa.
Surpreendo a responder a sua intenção. É como a ligação entre os seres avatares. Conexão em um só bloco que se contorce e retorce. Lentidão, interpretação sem nulidade. Não há o nulo... há o tudo.
A dança enobrece a alma e mobiliza o corpo e a mente. Meus reflexos são mais pontuais e precisos... Respiração, expiração, inspiração. Ação conjunta, latente e demente que desconstrói o renomado compasso do que ouço.
É pele e pelo. Um cheiro que passa e a lembrança que retorno.
A dança nos transporta os primórdios. Arte da seducão implícita e pouco explícita - se assim se desejar.
Corpos que vem e vão, invasão a aura da segurança, couraça, camada que incutimos a nós. Permissão contínua de entrada e desenvolvimento de tenacidade.
Idade.
Quesito de última dança.
Respiro ritmado.
Arte que se permeia no que se tem.
Ato ilícito.
Ato empírico.
Conectividade extrassensorial.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Despotencialização dos meios.
Eu estava questionando-me um outro dia: o que eu faço com e na Internet. De repente, vi que meu nível de circulação encontra-se restrito a sites de comunidades virtuais como o orkut, facebook, twitter (do qual - thanks, God! - eu já saí), formspring (no qual nada me perguntam), msn (na qual pouca gente interessante contata-me) e meu e-mail. Isto, falando a nível de pessoalidade, é claro.
O que estas ditas ferramentas acrescentam a minha vida: propriamente dizendo? O quanto eu cresci desde comecei a usá-las - em outros níveis, em outros tempos - desde bem nova? Lembro que fui moderadora do mIRC. Alguém se lembra desta? Aprendi netiqueta desde essa época...
Mas, retornando ao tema... parece que, por muitas vezes, deti-me no óbvio. E para alguém tão questionadora... parece que essas pequenas máquinas de nos fazer afundar em frente ao computador impulsionam-nos a esse estado de letargia.
É claro que concordo com os que protestam e dizem: "ó, veja o mundo que está na sua frente: tudo está aí, ao alcance de suas mãos". Mas, minhas mãos estão preparadas para agarrar o mundo e dizer: "vam'bora que ele também é meu?".
O que as pessoas fazem nessas redes sociais? Sim, há um mundo lá... mas é um mundo real? Não seria mais real conversar com alguém que senta ao seu lado no ônibus, ou conhecer o seu vizinho de prédio?
Outro dia ouvi algo engraçado sobre pessoas que moravam na mesma casa e mandavam e-mail umas para outras contando de certa novidade, enviando convites para festas. Aliás, eu faço isso... de vez em quando.
Valorizamos tanto o individual, que o coletivo se perde em desuso... até mesmo na Internet. Somos bombardeados para saber sobre o alheio - e não conhecer a este alheio (que é um reflexo de nós) - e, então, afundamo-nos em comentários bobos e conversas idiotas sem fim.
Não gosto do que é promíscuo, ao menos não na maioria do tempo. Promiscuidade, facilidade, ser entregue demais, banaliza o que somos.
Enfim, pensamentos de quem... provavelmente... cometerá um orkutcídio.
Poxa, quer falar comigo, não manda um "scrap": LIGA-ME!!!
O que estas ditas ferramentas acrescentam a minha vida: propriamente dizendo? O quanto eu cresci desde comecei a usá-las - em outros níveis, em outros tempos - desde bem nova? Lembro que fui moderadora do mIRC. Alguém se lembra desta? Aprendi netiqueta desde essa época...
Mas, retornando ao tema... parece que, por muitas vezes, deti-me no óbvio. E para alguém tão questionadora... parece que essas pequenas máquinas de nos fazer afundar em frente ao computador impulsionam-nos a esse estado de letargia.
É claro que concordo com os que protestam e dizem: "ó, veja o mundo que está na sua frente: tudo está aí, ao alcance de suas mãos". Mas, minhas mãos estão preparadas para agarrar o mundo e dizer: "vam'bora que ele também é meu?".
O que as pessoas fazem nessas redes sociais? Sim, há um mundo lá... mas é um mundo real? Não seria mais real conversar com alguém que senta ao seu lado no ônibus, ou conhecer o seu vizinho de prédio?
Outro dia ouvi algo engraçado sobre pessoas que moravam na mesma casa e mandavam e-mail umas para outras contando de certa novidade, enviando convites para festas. Aliás, eu faço isso... de vez em quando.
Valorizamos tanto o individual, que o coletivo se perde em desuso... até mesmo na Internet. Somos bombardeados para saber sobre o alheio - e não conhecer a este alheio (que é um reflexo de nós) - e, então, afundamo-nos em comentários bobos e conversas idiotas sem fim.
Não gosto do que é promíscuo, ao menos não na maioria do tempo. Promiscuidade, facilidade, ser entregue demais, banaliza o que somos.
Enfim, pensamentos de quem... provavelmente... cometerá um orkutcídio.
Poxa, quer falar comigo, não manda um "scrap": LIGA-ME!!!
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Morno vento.
É outono.
Pela terra caminha um ar morno que acaricia minha epiderme.
Toca-me a nuca e se esvai de norte a sul.
Percorre a extensão dos meus ombros e desce por meus braços.
Em um instinto de resposta, arrepio-me.
Em uma dessas tardes de outono nas quais o sol aquece minha pele, ouço sua voz pela primeira vez.
"Você me chamou?"
Já sinto a sua presença no meu dia a dia.
Dou uma longa risada, fecho os olhos e te vejo.
"Vem" - sigo, sempre.
E quando abro os meus olhos novamente só vejo o teu vulto.
"Acredita." - eu tento.
"Não tente. Acredite."
Tá. Fecho meus olhos e te vejo.
Não consigo te definir.
Faltam-me palavras.
Chegamos a árvore mais frondosa do campo.
Subo sem esforço.
Um simples impulso e voo.
"Vem" - eu vou.
Estamos no alto.
Ah! Que lindo! Vejo os campos e a plantação: trigo, eles são dourados como o cabelo do Pequeno.
"Vem!" - sabes que não precisa mais pedir.
"Tudo bem, entendi."
Nos seus braços estou sempre completa.
Espera-me!
Ei!
Já desço da árvore sem ti.
Não vá!
De súbito abro os olhos.
Desço sem esforço.
Um simples impulso e já não sinto a gravidade... flutuo até o chão.
Meus pés sentem a terra e nutro-me.
É outono.
E o morno vento vem, novamente, encontrar-me.
Pela terra caminha um ar morno que acaricia minha epiderme.
Toca-me a nuca e se esvai de norte a sul.
Percorre a extensão dos meus ombros e desce por meus braços.
Em um instinto de resposta, arrepio-me.
Em uma dessas tardes de outono nas quais o sol aquece minha pele, ouço sua voz pela primeira vez.
"Você me chamou?"
Já sinto a sua presença no meu dia a dia.
Dou uma longa risada, fecho os olhos e te vejo.
"Vem" - sigo, sempre.
E quando abro os meus olhos novamente só vejo o teu vulto.
"Acredita." - eu tento.
"Não tente. Acredite."
Tá. Fecho meus olhos e te vejo.
Não consigo te definir.
Faltam-me palavras.
Chegamos a árvore mais frondosa do campo.
Subo sem esforço.
Um simples impulso e voo.
"Vem" - eu vou.
Estamos no alto.
Ah! Que lindo! Vejo os campos e a plantação: trigo, eles são dourados como o cabelo do Pequeno.
"Vem!" - sabes que não precisa mais pedir.
"Tudo bem, entendi."
Nos seus braços estou sempre completa.
Espera-me!
Ei!
Já desço da árvore sem ti.
Não vá!
De súbito abro os olhos.
Desço sem esforço.
Um simples impulso e já não sinto a gravidade... flutuo até o chão.
Meus pés sentem a terra e nutro-me.
É outono.
E o morno vento vem, novamente, encontrar-me.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Eu já tenho mãos de trinta...
Agora, ao olhar para as minhas mãos...
percebi que já tenho uma mão de trinta.
A pele é marcada pelo tempo,
vários sulcos percorrem os meus dedos.
Mas tantas marcas? O que fizeram?
Amaram imensamente... araram a terra.
Dos meus dedos saíram carícias e vida!
Na parte interna há sulcos também.
Alguns dizem marca meu destino e minhas memórias.
A linha do meu coração está tão tênue!
Já não a encontro no M.
Os dedos dobram, mas minha identidade continua ali.
Desenhos únicos frente a uma multidão.
Sulcos individualmente desenhados.
Com todo cuidado eles foram feitos.
E elas, certamente, assim foram escritas.
Certeza só... águas ainda correm por ali.
Craquelo porque sou viva.
percebi que já tenho uma mão de trinta.
A pele é marcada pelo tempo,
vários sulcos percorrem os meus dedos.
Mas tantas marcas? O que fizeram?
Amaram imensamente... araram a terra.
Dos meus dedos saíram carícias e vida!
Na parte interna há sulcos também.
Alguns dizem marca meu destino e minhas memórias.
A linha do meu coração está tão tênue!
Já não a encontro no M.
Os dedos dobram, mas minha identidade continua ali.
Desenhos únicos frente a uma multidão.
Sulcos individualmente desenhados.
Com todo cuidado eles foram feitos.
E elas, certamente, assim foram escritas.
Certeza só... águas ainda correm por ali.
Craquelo porque sou viva.
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