quarta-feira, 9 de julho de 2014

Por vezes...

Por vezes a resposta não muito importa, mesmo que propicie algum tipo de dor. O que se quer é ser ouvida, acalentada pelo ato de alguém estar ao seu lado e oferecer a importância de escutar o que se deseja falar. Falar, esta ação constante de compreender a si. Penso em você ainda. Acontece, por vezes, durante um filme ou uma música. E a sua imagem volta. Como uma fotografia estática e um pouco ressecada pelo tempo. Será possível inventar a sensação de conexão? Senti-me conectada a ti. Falei, mas na outra face o silêncio. Um silêncio de abismo profundo, com paredes as quais não geram ecos. Ou geram. Lembranças de você. Não tenho cartas para rasgar. Não tenho filmes para queimar. E se você me contatar, nem saberei mais que é você. Por vezes penso se o que está mudo assim permanecerá. E se houver emissão de sua voz? Se emanar um som de ti... como reagirei? Penso em curvar-me ao som do homem que não conheço, mas para dar passagem. Esperei de ti tudo, menos o vácuo. Este emitir em suspenso é o que me assusta, pois não me propicia a materialização daquilo que deve ser finito. E infinito fica o que pensar. Chega às curvas de onde nem alcanço com meus próprios pés. A resposta pouco importa. Contanto que venha, aprochegue o ser para preenchê-lo. Eu tento. E não consigo significar o silêncio.