quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Outro querer...

Um dia você me falou que desistiria de sua voz se fosse para ter-me junto a ti.
E eu acreditei.

Plenamente repleta de amor, entreguei-me.
Mas o tempo, o mais puro e cruel das injúrias me afastou de ti.

Não só o tempo, mas a distância física fez o nós se tornar em um.
Um único indivíduo, ser indivisível, E só.

Somente aquela alma, sem complemento nem tormento.
Uma calmaria, a qual, na verdade, nada de calma tem. Pois ficou o vazio.

O ato de rolar na cama e não bater mais em ti me estranha.
Teus pés se foram para outro alguém e permaneceram os meus ali.

Frios... que frio sinto sem teu cheiro. Mas o que creio, então?
Crio uma vida que se emaranha em pensamentos e em teu peito.

O físico ato de tocar a tua pele já não é mais meu!
Será de mais alguém?

Que faço frente ao ato desatado de querer a ti?
Enfio-me em meus braços e desato no desatino de atar-te aos pensamentos meus.

Meus, ateus, não creio mais!
Liberta-me ou ata-me, então!

Decida! Reflita, mas não fala nada em vão.
Só me deixe partir, se teu ser assim pedires.

Dize-me, vai, vai... procurar outro querer!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Complacentes...

Eu penso em ti...
E penso muitas coisas boas.

Acredito que é algo o qual, até, transcende o sensorial, mas se inicia a partir dele.

Meus lábios tocam tuas sobrancelhas... e neste instante posso sentir teu cheiro e me lembro dos momentos que não tive junto a ti.
Meus cílios curvam-se lentamente para o céu quando tu me beijas no pescoço e meus poros abrem-se lentamente ávidos por ar...
Ar pleno da energia do encontro de duas almas...

Meus pés tocam os teus e assim sinto-me segura, perene, constantemente inconstante.

Tu me fitas com teus olhos negros e dos meus, verdes, emane uma lágrima que salga meus lábios, enfim.
Um sal que tem a pitada ideal para um sabor pitoresco, singelo e silvestre... a falar que é testemunha de um momento único de sensações...

Tua pele é macia e acaricia a minha com um toque suave e constante nas bochechas.

Beijo-te na ponta do nariz... ouço tua risada.
Toco teus pés e novamente tu ris...
É rico o momento em que tu me olhas e sentes como eu sou.

Não há competição, há complacência.

Os teus dedos se entrelaçam aos meus em um toque suave e firme que me leva aos mais altos graus de certeza de felicidade.


Tu inspiras, eu expiro no teu contra-ritmo e nossos pulmões inflam-se e esvaziam-se em movimentos constantes, cadenciados, alternados... o que faz nos sentirmos um só ser naquele instante...


Teus lábios tocam as minhas sobrancelhas, pés e mãos se unem; gentilmente beijo o teu queixo e tu me dizes: vamos rir?

E tudo recomeça, os afagos, olhares e risadas... toques e cócegas nos pescoços de cada um...

E ficamos, enfim, ouvindo as risadas um do outro... as quais acariciam os nossos ouvidos e
fazem-nos sentir confortáveis em nossas presenças e ausências...


Momentos dos quais só dizem respeito a nós, mas que transcendem em essência...

Essência abundante em energia vital que preenche os corpos de todos os seres em todos os momentos...

Nós, plenos de energia...

Plenos...
Plenos...
Simplesmente, plenos.

[texto inspirado em ti: sim, tu podes ser inspiração, preto! adoro-te! imagino-te! tenho-te aqui, dentro de mim!]

domingo, 11 de outubro de 2009

A arte do reverso...

No complexo ato de sentir vem o outro: o reverso.
Reverso, seu reflexo. Intrauterino do seu ser.
Ele que se forma segundo sua visão. Que, por vezes, diz não.
Tudo em alto e bom tom!

Frente a esse ser tudo acontece. Por vezes, até te emudece.
E você fica mudo pelo ato do terror. Horror de sentir o outro em si.
Dentro do "mi", dentro do ti.
Coisas sobre as quais não se quer refletir.

Por outros momentos a alegria se estende. Frente a esse mesmo ser que, por ti, se rende.
Renda que emudece e liberta sua vida. Renda que palpita a arte do viver.
Correr entre os céus no seu ser que se consola. Às vezes em ti, às vezes em mim.
Ser sem fim.

E, então, tu te questionas... "como hei de saber se realmente sou ser sem ele ter?".
Aí, posicionas-te frente ao relógio. E te digo: "muda, amigo!"
Ao invés de ficares de ponta-cabeça tu pegas o objeto e me mostras a arte do reverso.
"Segura aqui" - dizes-me!

E pego, então, aquele objeto da mão. E tu me falas, de sopetão: "vira para mim".
E assim, faço e me reato. Vejo os ponteiros totalmente ao contrário.
Digo contente: "inventei a máquina do tempo". Tu não negas! Mas não concorda.
E de repente ouço teu pensamento.

Que diz: "está aqui mais um chance de ser feliz".
"Se tu pegas e entendes a arte do reservo, tudo tem nexo.
Pois a ação do passado justifica o momento futuro.
Apesar de que o futuro nunca chegará a acontecer".

Mas, pergunto-lhe, "enfim, o que fazer?"
E tu me olhas e teu nariz vira a frente do relógio.
Os ponteiros ainda andam... e no objeto também encosto o meu.
E, assim, o reverso se refaz.

Eu vejo tu e tu me vês. Em um reflexo sem fim.
E descubro, enfim, que os teus olhos... lá no fundo... entre a íris e o branco marfim...

Que... que... que... que teus olhos refletem a mim.