sábado, 31 de outubro de 2015

Cada sinal...

Tenho sentido vontade de um amor sinestésico, no qual o aconchego seja constante. Que os outros sentidos, além do ouvir, estejam presentes. Sentir a pele arrepiar pela proximidade dos corpos e das lembranças. Significar o vento como sua respiração em mim. Sentir o calor proveniente dos processos químicos da adrenalina do encontro. Sair correndo ao sentir o sabor de um bom prato preparado. Saber de cada linha do corpo que nos preenche e do qual fazemos parte. Pertencer a mim, pertencer a ti. Pertencermo-nos. Sem posse. Quero ali em seu peito poder me acomodar e me sentir plena. Ouvir só as batidas do seu coração e do rio de sangue de circula em seu corpo e no meu. Respirar com leveza e confiança. Ter as mãos e o jeito certo de lhe acolher. Percorrer tua face em sentido de reconhecimento, com meu olhar de criança. Saber cada sinal que há em ti...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A.

E voltei para casa sentindo cada poro.
Minhas mãos percorriam as superfícies... sentindo relevos e temperaturas, formas e inconstâncias.
Reflexo da noite que desejei ter passado contigo.
É como se cada ser inanimado tocado fosse você...
Minhas mãos percorreram espaços em busca de respostas.
Entrega.
Mãos em plena contemplação.
Sensação.
Meu corpo ainda espera pelo seu.
Minha pele pela sua.
O toque suave dos seus dedos em cada curva minha.
Desejo de conseguir me entregar a ti como deseja meu corpo.
Meu eu em busca do seu...
Seu.
Eu.
Nós.
Nó.
Enfim...

domingo, 3 de maio de 2015

Livre manifestar do desejo

E por vezes o emanar será simples manifestação do desejo.
Não essencia ou encerra em ação.

Olho-te e penso se minhas escolhas são baseadas no real.
E tenho medo de me perder no escuro dos teus olhos.
Noite que me invade.

O tanto desconhecido.
Acostumo-me com o prazer de tua presença.
Com a falsa ideia de que tudo se esvai.

Meu corpo segue-te e tua ausência me falta.
Teus vãos criam vácuos dos quais já não posso me afastar.

Eterna ação e reação, pêndulo.

Ar que vai e volta na plena vontade de lhe sorver.

sábado, 11 de abril de 2015

Untitled

É preciso calma que vá além do tempo.
A conquista é serena.
Conhecer parte a parte.
Curiosidade pós-parto.
Onde tudo é novo.
E solene.
É necessário decoro.
Timidez no toque.
Lentidão.
Retidão.
Coro.
Voz uníssona de desejo.
Lampejos.
Momentos imperceptíveis ao racional.
Tudo que pertença ao instinto lido será.
Lindo será.
Tempo.
Elemento que inebria e cria.
Muita calma.
Desejo e querer,
e
nfim.





[02/04/2015, no Stylicus]

domingo, 22 de março de 2015

Minha pessoa

Quem seria eu se eu não fosse quem sou? Se, enfim, enquadrasse-me nas tão repetidas e infinitas regras que indicam como deve ser alguém que deseja isto e aquilo? Bom será quando chegarem os dias nos quais padrões poderão estar todos presentes, como uma linda orquestra, na qual cada um tem seu papel e oferece sinergia à música que entoa a vida. Listras unidas à bolas, à raios, à quadrados... e todos então poderão ser o que são. Hoje tive um encontro de alma e voltei para casa muito pensativa novamente. Ouvindo o CD "prenda minha" de Caetano, repetidamente a música "Drão". Pensei então, em escrever, pois eu sou isso. Sou o que escrevo, o que penso e o que sinto. Quem sabe a busca não deva estar na mudança do padrão, mas sim no encontro daquele que o compreende e deseja, enfim, acomodar-se com o outro padrão. Não tentar mudar as regras do jogo, mas compreendê-lo, percorrê-lo! Hoje já pensei tantas coisas... Na volta, em um misto de emoção, do reencontro com minha amada Tia de música, significado da minha infância, um dos meus primeiros contatos com esta arte... pensei muito sobre mim, também. Quem seria eu sem estes carinhos que gosto de fazer às pessoas? Sem este pensar sobre algo, sem o expor do que sinto, conseguindo-o de forma melhor materializada em letras? Sim, pois isto que faço é amor. É dedicação de tempo a um ser e isto me faz e me refaz. Conversamos sobre o ser, a essência. Duas artistas a conversar sobre o ser. E, de repente, tudo parecia estar naquele instante suspenso no ar, como se não houvesse gravidade e sentíssemos o quão pertencemos ao mundo e o mundo pertence a nós. Um pertencimento de fazer parte e não de posse. Inexiste posse, pois tudo já é intrinsecamente nosso. Existe a partilha. No retorno hoje ao meu lar fiquei com uma das frases na mente, na alma... a reflexão de que o que levamos daqui são nossas vivências. E que, se somos passado, somente lembranças somos. E é isto que seremos, sempre, quando nos formos. Um dia todos iremos para um além-mar. Sabe, nossa vida é feita de ciclos, mesmo. Início, meio, fim-recomeço, meio, fim-recomeço, é como diz em “Drão”, "tem que morrer para germinar, plantar em algum lugar, ressuscitar no chão". Mas não há caminhar para trás. É um looping se visto de cima. O nosso crescimento, na realidade, ocorre em espiral, que se enxerga quando se muda o ponto de vista - olhando a espiral de lado. Assim compreende-se que quando visto do topo parecemos estar no mesmo ponto, mas ao ser visto de frente ou de lado enxergamos nosso ponto real na espiral, um tanto acima. Sempre. Há uma busca em mim da possibilidade (e realização) de conexão. De um exercitar de conhecer outros seres, pois me encantam, alucino-me com outros eus. Gosto de tê-los por perto e sentir-me conectada a eles. Reconectada, na realidade, pois somos todos um. Fico muito emocionada quando vejo o filme do filme Avatar e sinto como eles conectam-se. Ficção, sim! Talvez desejo do inconsciente coletivo retratado em imagens também. É como na dança, o percorrer os passos com outro ser... e quando este é fluído, não necessariamente por se conhecer, mas por estar desejoso e atento para conexão, há um regozijo sem fim. Um sentimento de certeza de se fazer parte, de se saber o caminho a percorrer, não por conhecê-lo, mas por se desejar trilhá-lo. Quando há o despertar do corpo, ali, na dança... tudo é possível. A dança muito me ensinou no que tange a mim, a minha capacidade de aprender a receber o outro e deixar-me guiar por ele. Que saudade sinto de momentos assim. É como uma longa conversa com os amigos. Com alguns ficava horas ao telefone, duas, três horas... há alguns anos. Com uma amada amiga há alguns meses doze horas fiquei conversando ininterruptamente – literalmente, foi meio dia de entrega e amor. Saudade dela, também. Saudade de ter esta resposta, ou contradança, deste desejo que tenho de me reconectar, de absorver o que desejo de outro ser a ele lhe propiciar o que tenho mais de genuíno, meu ser. Há um tempo, creio que pelas minhas buscas, leituras, intuição e conexão pensei que as pessoas podem ser uma para as outras só pessoas, sem rótulos. Pessoas que se veem quando desejam. Que se beijam, amam-se, despretensiosamente, se assim querem. Frequentam-se com a frequência que desejam um e outro e um ao outro. Que podem encontrar-se em um dia para jantar, só pelo prazer de ali se estar, de viver aquele momento. A existência do sentimento que se sabe pertencer. É algo mais do que nossos tradicionais modelos de relacionamento que nos impõem entendimento pré-concebidos, atitudes pré-concebidas, reações já construídas pelo passado e pelo presente cultural. Que desejo de ser livre eu tenho! Inclusive para ligar para alguém e dizer, “desejo você agora” ou “vem, que eu preciso de um abraço” ou “posso ir aí para cuidar de ti?” - mesmo que o tenha visto ontem. Ou contatá-lo por nada e por tudo, pois sei que é a minha pessoa e que está tudo bem ser quem eu sou com este outro ser. Ser a pessoa um do outro. Não "a pessoa" no sentido determinístico, mas sim pessoa da concepção da construção do ser. Pessoa no que o caracteriza somente e tão somente como um ser humano e suas idiossincrasias, pensamentos, alma, entendimento, mente, o ser em si. Que vontade de viver algo pleno assim! Então, hoje, voltando para casa em meu pleno continuar do momento de suspensão no ar pensei: qual a vantagem de se ficar “junto”, ser a pessoa um do outro ou um para o outro? Jack Johnson diz em "Better Together", “e por que é tão difícil? Não é sempre fácil e às vezes a vida pode ser enganadora. Vou te dizer uma coisa, é sempre melhor quando nós estamos juntos. Não há muita coisa para fazermos ou lugares que devemos estar, nós sentaremos embaixo da árvore de manga. É sempre melhor quando nós estamos juntos!". E quando falo em união não falo em “formalidades”, falo em propósito. Falo em oportunizar o possível e o lindo instante de se conhecer a si, conhecer o outro e conhecer-se como dois seres. De saber dos gostos, da vida que pulsa na veia de cada um. Ou, simplesmente, poder ter um momento de silêncio estando juntos. Ou de um abraço de três horas seguidas sem palavra alguma, só o toque e calor de um ser no contato com o outro. Duas fontes de energia. Ou de aprender o que cada um gosta de comer - pelo simples motivo que este pode ser um fato enriquecedor em si. Isto é especial, a troca, o compartilhar, o dividir para somar. Conectar-se, equilibrar energias, matar a sede de compreensão, fazer transbordar o ser de felicidade, rir até doer a barriga, chorar por horas juntos... se assim preciso for. Fortificar-se do outro e com o outro. Encolher-se como feto e ter a quem se acomodar, quando assim deseja-se, necessita-se. Nutrir-se de amor, recarregar-se para o enxergar das estrelas. Todos nós somos seres que merecemos estar plenos de amor. Qual o motivo de se encontrar e juntos estar? Talvez percorrer a opção da “permanência” poderia levar a elevação dos seres de maneira a se descobrirem, ou fazer com que fosse possível a existência de outras coisas as quais se precisa, caminhos que se precisa percorrer, aprender a apreciar, delinear, questionar, conhecer, descobrir, desenhar.  - escrito em 09/2014.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Tudo que eu ainda não disse.

Estou gostando de você. Mais do que intuía. Gosto quando você me liga para falar de assuntos importantes seus. Sinto-me importante, assim. Gosto quando me chama para falar de assuntos bobos. Sinto-me boba junto com você. E isto é bom. Tenho falado muito sobre ti. E tenho vontade de dividir coisas contigo. Lembro-me de coisas as quais me disse e tenho vontade de dizer que, sim, eu também sou assim... uma romântica incorrigível. No que tange ao olhar, a projeção que faço dos relacionamentos, o ato de estar constantemente com o olhar sobre a beleza que tudo possui. Tenho vontade de me trazer à tona para ti. Para que descubra e experiencie este meu olhar e sinta que o mundo é infinitamente belo. Que há pessoas como nós. Que há como construir o que desejamos. Trazer amigos à tona, também. Meus e seus, intercalar, inter-relacionar nossos mundos. Tudo para que você se sinta efetivamente acolhido, querido. E eu também me sinta integrada a um projeto maior. Você é raridade que me faz bem. Raridade que eu desejo junto a mim, ao meu corpo, a minha alma. Almejo poder te acolher com aqueles colos gostosos, plenos de carinhos e afagos. Desejo que faça sua casa em mim. Quero fazer minha casa em ti. E que nos frequentemos por mais tempo, por mais vezes, com mais constância. Vontade de lhe dizer que, sim, desejo ser amada intensamente. Quem não deseja? Mas, não sei que caminho seguir... pois não quero te assustar (ainda mais). Ainda preciso aprender a viver o presente de forma calma, deixar o tempo falar... o espaço existir, pois tudo é ritmo e contrarritmo. Eu sinto isto e disto eu sei. Deixar com que se aproprie de mim aos poucos. Não como posse, pois sou minha, só minha. Porém, posso estar com você. E de forma mais constante, integrada, de um pleno jeito, um jeito rico. Rico em amor, amor romântico, amor de mulher, amor de amiga, amor de parceira para caminhar, amor para aventuras internas e externas, amor para sufoco e amor para o sossego. Mas há este ponto que ainda me prende... você não me vê e ainda esta à procura de outro alguém. E eu sinto que já te encontrei, pois você não preenche meus silêncios com perguntas, você os sente, compreende-os, absorve-os. E sabe que ainda por aqui estou, mesmo nos entremeios das palavras.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Calo tudo que grita.

Está tudo parado aqui.
E ao mesmo tempo tilinta.
Hoje ouvi sua voz.
Uma saudade imensa me atingiu.
Agora não sei onde ficar.
Você já é tão imenso em mim.
Deitada encolhi-me.
Como se quisesse só estar ali.
Na sua imensidão.
Não sei lhe interpretar.
Não sei me interpretar quando você está.
Confundo-me em mim.
E então calo tudo que grita.
Para não lhe assustar.
Para não me assustar.
Respiro fundo, retomo a rota.
Reergo-me, enfim.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Im.

E agora sei que ficarás em minha memória.
Naquele saber de amores que poderiam ser vividos.
Faço todo o quadro de nossa existência.
Pinto-o com pigmentos feitos à mão.
O pó que poderia colorir nossos dias.
A liga, que, em vão se esvaiu.

Queria que pudésseis ver aqui dentro.
E quantas cenas eu posso criar.
Para um nós que queria ter existido.
Queria, por si só.
Independente do que é a verdade real.

Levaria-te em sonho,
já que não há mais um porvir.
Encanto-te assim, nos pensamentos meus.

Matéria viva, matéria-prima eu sou.
Matéria-prima de amor a ser interposta.
Aqui, inerte, enfim. Uma vez mais.
Vão.

Vãos na tela que me fazem.
Rasgos não preenchidos em cor.
E a tela branca que insiste em ser
Tão plena, que cega.
Cega.
Cega possibilidade.
Cega, plena, branca, im.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Frio

E, então, eu te encontrei. De forma comum, não tão inusitada. E você respondeu aos meus questionamentos com o mesmo ritmo. E fez, por vezes, com que eu parasse e repensasse. Assustou-me um pouco. E de tão solitário e raro quanto eu, formamos dois. Você despiu minha alma pela possibilidade de encontrar um afim. Agora reflito e vejo que ainda repousará a vontade por tudo que poderia ser, pois a possibilidade de navegar pelo teu ser ainda me apetece. Cheguei até pensar em dizer que não me importaria se não fossemos dois novamente. Mas... você me feriu. E que tipo de intimidade pode ser um erro? Ser íntimo é bom, sinônimo de liberdade. A liberdade de querer o outro como se é. Recolho-me em mim ao pensar em você. Estou exposta e com frio agora. E quando pensei que a mim acolheria, mais frio senti... sozinha perante a realidade dos sonhos meus. E, por fim, sem ti fico.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Já que nós somos esferas...

De vez em quando retorno a ti.
Despejo meus pensamentos no teu olhar.
Pergunto-me por onde tu andas.
Chavões das relações.
Daqueles que não aconteceram, portanto.
Pois, se diferente fosse, ligar-te-ia, enfim.
Por vezes fico a pensar o que pensas tu de mim.
Mesmo isto não sendo minha responsabilidade.
Esconder-me-ia para eu fosse um trunfo só seu?
Objeto de sorte? Aporte necessário? Cais de ilha deserta?
Quem sou eu em meio a ti e tua aldeia?
Quem permeia tuas relações de mim sabe?
O que falastes a outro alguém?
Desejaria saber, se pudesse, é claro.
Quem sabe quando do seu retorno, não é?
Então, dir-me-ia aquilo que desejo tão ardentemente na memória saber!
Já não és fogo aqui, mas estás nas lembranças dos momentos em que me encosto em um batente qualquer.
Jogar-te-ia longe se pudesse, pois rondas de alguma maneira.
Ou de maneira alguma.
Talvez seja só uma figura.
Figura de linguagem a qual eu me apeguei.
Figura que transpassa os momentos nos quais só estou.
Na louca busca de mim.
Pois este é o eterno caminhar.
A busca longe que te leva perto.
Chegas perto.
Voltas em mim.
Pousas aqui.

Constante e eterno porvir.