quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Im.

E agora sei que ficarás em minha memória.
Naquele saber de amores que poderiam ser vividos.
Faço todo o quadro de nossa existência.
Pinto-o com pigmentos feitos à mão.
O pó que poderia colorir nossos dias.
A liga, que, em vão se esvaiu.

Queria que pudésseis ver aqui dentro.
E quantas cenas eu posso criar.
Para um nós que queria ter existido.
Queria, por si só.
Independente do que é a verdade real.

Levaria-te em sonho,
já que não há mais um porvir.
Encanto-te assim, nos pensamentos meus.

Matéria viva, matéria-prima eu sou.
Matéria-prima de amor a ser interposta.
Aqui, inerte, enfim. Uma vez mais.
Vão.

Vãos na tela que me fazem.
Rasgos não preenchidos em cor.
E a tela branca que insiste em ser
Tão plena, que cega.
Cega.
Cega possibilidade.
Cega, plena, branca, im.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Frio

E, então, eu te encontrei. De forma comum, não tão inusitada. E você respondeu aos meus questionamentos com o mesmo ritmo. E fez, por vezes, com que eu parasse e repensasse. Assustou-me um pouco. E de tão solitário e raro quanto eu, formamos dois. Você despiu minha alma pela possibilidade de encontrar um afim. Agora reflito e vejo que ainda repousará a vontade por tudo que poderia ser, pois a possibilidade de navegar pelo teu ser ainda me apetece. Cheguei até pensar em dizer que não me importaria se não fossemos dois novamente. Mas... você me feriu. E que tipo de intimidade pode ser um erro? Ser íntimo é bom, sinônimo de liberdade. A liberdade de querer o outro como se é. Recolho-me em mim ao pensar em você. Estou exposta e com frio agora. E quando pensei que a mim acolheria, mais frio senti... sozinha perante a realidade dos sonhos meus. E, por fim, sem ti fico.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Já que nós somos esferas...

De vez em quando retorno a ti.
Despejo meus pensamentos no teu olhar.
Pergunto-me por onde tu andas.
Chavões das relações.
Daqueles que não aconteceram, portanto.
Pois, se diferente fosse, ligar-te-ia, enfim.
Por vezes fico a pensar o que pensas tu de mim.
Mesmo isto não sendo minha responsabilidade.
Esconder-me-ia para eu fosse um trunfo só seu?
Objeto de sorte? Aporte necessário? Cais de ilha deserta?
Quem sou eu em meio a ti e tua aldeia?
Quem permeia tuas relações de mim sabe?
O que falastes a outro alguém?
Desejaria saber, se pudesse, é claro.
Quem sabe quando do seu retorno, não é?
Então, dir-me-ia aquilo que desejo tão ardentemente na memória saber!
Já não és fogo aqui, mas estás nas lembranças dos momentos em que me encosto em um batente qualquer.
Jogar-te-ia longe se pudesse, pois rondas de alguma maneira.
Ou de maneira alguma.
Talvez seja só uma figura.
Figura de linguagem a qual eu me apeguei.
Figura que transpassa os momentos nos quais só estou.
Na louca busca de mim.
Pois este é o eterno caminhar.
A busca longe que te leva perto.
Chegas perto.
Voltas em mim.
Pousas aqui.

Constante e eterno porvir.