terça-feira, 26 de julho de 2016

Fragmentos de nós 2

Meu sentimento por ti já é desmedido. Beira a paixão em prosa para o amor. Tenho sofrido veras convulsões de sentimentos que levam para ir e ficar. Mas não vejo mais porque ficar, pois não somos um par. Esse teu tempo que não avança já não cabe no meu relógio. Não sou mulher de meros segundos. Há tudo em mim. Furacão de tempo. Negociação com Chronos. E a varinha de condão. Vontade para te dizer adeus não tenho eu. Mas ao invés de ser consumida por uma irrealidade, prefiro me entregar à razão. Esse mar de luz azul desses olhos teus já me encanta a ponto de não querer mais dele sair... porém, quero respirar, coisas que já não tenho feito. E preciso do verde dos olhos meus, com o castanho da terra. Tenho firmeza em terra. Desconheço o que é fluído. Mergulhar no desconhecido me clama, mas só se tu fosses meu. E assim poderia me preencher também de azul. Paz que me acolheria. Poderias tu me chamar de longe... creio que daqui ouviria. Se o fizésseis com vontade, a vontade da turbulência que sei haver dentro de ti, quiçá eu acreditasse. E quando cr(e)io, sinto que caminhos seguir.

(escrito em 08/03/2016)

sábado, 31 de outubro de 2015

Cada sinal...

Tenho sentido vontade de um amor sinestésico, no qual o aconchego seja constante. Que os outros sentidos, além do ouvir, estejam presentes. Sentir a pele arrepiar pela proximidade dos corpos e das lembranças. Significar o vento como sua respiração em mim. Sentir o calor proveniente dos processos químicos da adrenalina do encontro. Sair correndo ao sentir o sabor de um bom prato preparado. Saber de cada linha do corpo que nos preenche e do qual fazemos parte. Pertencer a mim, pertencer a ti. Pertencermo-nos. Sem posse. Quero ali em seu peito poder me acomodar e me sentir plena. Ouvir só as batidas do seu coração e do rio de sangue de circula em seu corpo e no meu. Respirar com leveza e confiança. Ter as mãos e o jeito certo de lhe acolher. Percorrer tua face em sentido de reconhecimento, com meu olhar de criança. Saber cada sinal que há em ti...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A.

E voltei para casa sentindo cada poro.
Minhas mãos percorriam as superfícies... sentindo relevos e temperaturas, formas e inconstâncias.
Reflexo da noite que desejei ter passado contigo.
É como se cada ser inanimado tocado fosse você...
Minhas mãos percorreram espaços em busca de respostas.
Entrega.
Mãos em plena contemplação.
Sensação.
Meu corpo ainda espera pelo seu.
Minha pele pela sua.
O toque suave dos seus dedos em cada curva minha.
Desejo de conseguir me entregar a ti como deseja meu corpo.
Meu eu em busca do seu...
Seu.
Eu.
Nós.
Nó.
Enfim...

domingo, 3 de maio de 2015

Livre manifestar do desejo

E por vezes o emanar será simples manifestação do desejo.
Não essencia ou encerra em ação.

Olho-te e penso se minhas escolhas são baseadas no real.
E tenho medo de me perder no escuro dos teus olhos.
Noite que me invade.

O tanto desconhecido.
Acostumo-me com o prazer de tua presença.
Com a falsa ideia de que tudo se esvai.

Meu corpo segue-te e tua ausência me falta.
Teus vãos criam vácuos dos quais já não posso me afastar.

Eterna ação e reação, pêndulo.

Ar que vai e volta na plena vontade de lhe sorver.

sábado, 11 de abril de 2015

Untitled

É preciso calma que vá além do tempo.
A conquista é serena.
Conhecer parte a parte.
Curiosidade pós-parto.
Onde tudo é novo.
E solene.
É necessário decoro.
Timidez no toque.
Lentidão.
Retidão.
Coro.
Voz uníssona de desejo.
Lampejos.
Momentos imperceptíveis ao racional.
Tudo que pertença ao instinto lido será.
Lindo será.
Tempo.
Elemento que inebria e cria.
Muita calma.
Desejo e querer,
e
nfim.





[02/04/2015, no Stylicus]