Já diria minha irmã que não existe o Oriente, que este á uma costrução mítica tanto instaurada por Delacroix como por seus comparsas... em um ato evidentemente selvagem de unir a todos em uma só massa.
De acordo, mas meu pensamento de inicia com...
Tudo que vem do Oriente nos provoca fascínio.
As vestes, vestimentas, árabes, indianos, sons feitos com a língua, a dança contida, ou de serpente... e os panos, panos, dourados, bordados, amassados, lisos, contínuos e compridos.
Ai, aqueles panos... e o próprio esconder para preservar.
Não sei se é mal de antecedente o que sinto e como ajo, mas meu povo é sírio-libanês. Ao menos, em parte.
Lá viria ela novamente me dizer... tudo é cultural, nada de explicações genéticas e tal.
Mas meu pensamento continua com...
Bom, esse corpo tem informação que pode ter sim tido mutação genética por hábitos e condutas culturais externas.
Volta e meia cubro meu rosto. Não á moda árabe ou indiana... apesar do fascínio.
Faço-o com meu chachecol ou o esquentador de pescoço, que tenho.
Então, a percepção toda muda.
Sempre preocupada com o quesito segurança, meu olhar é inquieto e os ouvidos estão sempre alerta.
Nos vidros do carro a fresta impera. O som é desligado para estacionar. O corpo reaje ao simples barulhos estranho. Os olhos espicham...
Mas, com "a burqa"... a percepção toda muda.
A visão lateral não alcança em seus devidos graus. A audição fica filtrada, tapada, velada. Enxerga-se em "uma só direção", o Norte.
Os olhares avivam-se. Não sei se por estranheza a curiosidade.
Então, pensei comigo. E, enfim, a que propósito direcionar olhar, velar audição...
A interiorização incomoda a certo, ponto...
E quem aprendeu a se guiar, consegue aprender a ser guiada?
Eterna vida de ceder-se!
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