É outono.
Pela terra caminha um ar morno que acaricia minha epiderme.
Toca-me a nuca e se esvai de norte a sul.
Percorre a extensão dos meus ombros e desce por meus braços.
Em um instinto de resposta, arrepio-me.
Em uma dessas tardes de outono nas quais o sol aquece minha pele, ouço sua voz pela primeira vez.
"Você me chamou?"
Já sinto a sua presença no meu dia a dia.
Dou uma longa risada, fecho os olhos e te vejo.
"Vem" - sigo, sempre.
E quando abro os meus olhos novamente só vejo o teu vulto.
"Acredita." - eu tento.
"Não tente. Acredite."
Tá. Fecho meus olhos e te vejo.
Não consigo te definir.
Faltam-me palavras.
Chegamos a árvore mais frondosa do campo.
Subo sem esforço.
Um simples impulso e voo.
"Vem" - eu vou.
Estamos no alto.
Ah! Que lindo! Vejo os campos e a plantação: trigo, eles são dourados como o cabelo do Pequeno.
"Vem!" - sabes que não precisa mais pedir.
"Tudo bem, entendi."
Nos seus braços estou sempre completa.
Espera-me!
Ei!
Já desço da árvore sem ti.
Não vá!
De súbito abro os olhos.
Desço sem esforço.
Um simples impulso e já não sinto a gravidade... flutuo até o chão.
Meus pés sentem a terra e nutro-me.
É outono.
E o morno vento vem, novamente, encontrar-me.
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