Em muitos momentos me encontro assim no carro. Despojo-me da devida atenção ao volante de maneira um pouco displicente e recosto meu braço esquerdo no vidro da janela. Coisas que só eu sei que faço.
Naqueles meros segundos que tradicionalmente são vividos em sinais de tráfego vermelho eu me ponho a pensar e sonhar. Por vezes o passado invade meus pensamentos e passo a conversar com os personagens que fizeram parte da minha vida. Por outras projeto pensamentos em um futuro por muitas vezes longínquo sem trégua.
Há voltas que me pego a pensar se um outro alguém olharia e me perguntaria "está tudo bem com você?".
[...]. Sereia do mar. É nítida a sensação do encanto obtido que sempre morre em mim. [...].
Recosto-me, assim, em um ato de preguiça e entrega. [...]
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