No complexo ato de sentir vem o outro: o reverso.
Reverso, seu reflexo. Intrauterino do seu ser.
Ele que se forma segundo sua visão. Que, por vezes, diz não.
Tudo em alto e bom tom!
Frente a esse ser tudo acontece. Por vezes, até te emudece.
E você fica mudo pelo ato do terror. Horror de sentir o outro em si.
Dentro do "mi", dentro do ti.
Coisas sobre as quais não se quer refletir.
Por outros momentos a alegria se estende. Frente a esse mesmo ser que, por ti, se rende.
Renda que emudece e liberta sua vida. Renda que palpita a arte do viver.
Correr entre os céus no seu ser que se consola. Às vezes em ti, às vezes em mim.
Ser sem fim.
E, então, tu te questionas... "como hei de saber se realmente sou ser sem ele ter?".
Aí, posicionas-te frente ao relógio. E te digo: "muda, amigo!"
Ao invés de ficares de ponta-cabeça tu pegas o objeto e me mostras a arte do reverso.
"Segura aqui" - dizes-me!
E pego, então, aquele objeto da mão. E tu me falas, de sopetão: "vira para mim".
E assim, faço e me reato. Vejo os ponteiros totalmente ao contrário.
Digo contente: "inventei a máquina do tempo". Tu não negas! Mas não concorda.
E de repente ouço teu pensamento.
Que diz: "está aqui mais um chance de ser feliz".
"Se tu pegas e entendes a arte do reservo, tudo tem nexo.
Pois a ação do passado justifica o momento futuro.
Apesar de que o futuro nunca chegará a acontecer".
Mas, pergunto-lhe, "enfim, o que fazer?"
E tu me olhas e teu nariz vira a frente do relógio.
Os ponteiros ainda andam... e no objeto também encosto o meu.
E, assim, o reverso se refaz.
Eu vejo tu e tu me vês. Em um reflexo sem fim.
E descubro, enfim, que os teus olhos... lá no fundo... entre a íris e o branco marfim...
Que... que... que... que teus olhos refletem a mim.
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