Hoje
saí com um cara. Não consegui transar. Não consegui nem beijá-lo. Não sei
se foi a hora em que ele me disse: "quer dizer que hoje você está
bandida!" ou na insistência sutil, mas contundente, de vir para minha
casa. Minha casa está uma bagunça e eu disse a ele não várias vezes. E mesmo
assim quando pedi para que me levasse a algum lugar, o caminho da minha casa
ele fez. Minha casa está uma bagunça, pois por dentro estou uma bagunça.
Senti-me como se... ao continuar ali... violasse algo de terno em mim. Não é
que eu não tive vontade. Até tive. Fiquei com vontade de agradar seus
cabelos e o fiz. Mas as mãos dele... não tinham a delicadeza que eu esperava.
Minha tentativa recai sobre o fato de que parte de mim diz que eu devo seguir,
pois parece que você não vai voltar. E o meu hesitar sobre o fato de que sua
ternura ainda repousa aqui em mim. Assim como a vontade de você. A saudade.
Lembrei-me enquanto neste pouco tempo com que ele estive... de que nós quase não precisamos
falar... e de te receber com um "que bom que você veio!" e de ter que insistir para que você aqui estivesse, pois eu queria e estava tudo bem assim. Quero seu
abraço mais que tudo agora. E quero seu cheiro. Você está em mim mais
profundamente do que imaginei. Eu olhava para aquele homem e pensava: "mas este homem não é ele!". Você. Este ser que, como diz meu amado Chico, "se
instalou feito um posseiro dentro do meu coração".
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