quinta-feira, 2 de julho de 2009

Olhos no olhos...

Um dia serei mãe e saberei. Mas, fico questionando-me se a atitude que temos com os nossos filhos realmente corresponde àquela mais assertiva e necessária.

Hoje fui fazer cotação em algumas farmácias, duas, para lhes dizer a verdade. E, ao finalizar minhas compras, dirigindo-me ao caixa, veramente reparei no filho de uma moça que se encontrava extremamente agitado. Ele tinha a real intenção de se desvincilhar e fugir. Ela se incomodava tanto com ele! Olhava-o de cima, questionando-o e quando o mesmo fez menção de se desgarrar... agarrou-o pelo casaco e disse, firmemente, "fique aqui!". Mas, o filho relutava.

Então, em um impulso, abaixei-me, agachei-me e olhei para aquele serzinho furioso e perguntei: "mas, porque é que você está tão brabo?". Então, das poucas palavras balbuciadas que entendi daquele pequenino ser... internalizei "... e ela briga comigo". Em seguida, olhei-o bem nos olhos e disse, com carinho, "mas, a mamãe não está brigando com você... é que ficar longe da mamãe é perigoso... e ela quer que você fique bem pertinho. Então, tem que ficar bem pertinho da mãe, tá?". E, assim, ele se acalmou, olhou para mim e disse "tá"...

A cabeça daquela mãe balançava em um sentido que me pareceu: "é, aos outros ele atende" ou qualquer outra coisa como "parece fácil".

Na realidade fiquei com vontade extrema de olhar para ela e dizer: "é, santo de casa não faz milagre!". Contudo, controlei-me para não insistir a proferir esta infame frase e infame conceito, que tanto são dissipados.

Talvez, o que falte a nós, como mães e pais, é desacomodarmo-nos do padrão adquirido do santo... e dar a mão à palmatória de que se agachar ao nível dos nossos filhos e ouví-los, realmente, não é nada feio. É, sim, preciso e produtivo.

No final ficou o carinho do menino... que, ao sair da farmácia pelo corredor dos caixas, olhou para mim e disse: "Tau".

[maiora escrita na presença de uma linda jovem com a qual dividi a mesa no shopping para o almoço. ela se foi e depois que almocei terminei o texto. O som da massa falando aqui é uniforme. portanto, permite desligar-me e mergulhar em meu eu interior.]

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