domingo, 29 de novembro de 2009

Quando está tarde...

É bom quando chego em casa, cansada do dia inteiro...
Meu corpo em um estado latente de lentidão... a mente a ponto de voar...
E tu estás aqui, ao meu lado... e em ti posso, enfim, me reconfortar.

Tuas mãos firmes tocam meu corpo sutil, que está quase em sentido de adeus.

E tu me encostas nas tuas costas ou no teu peito.
E, ao relento, fazes meus pensamentos voar.

O afago nos meus cabelos e minha nuca me encaminham mais além.
É o instante no qual sinto que, realmente, segura eu estou.
Meus olhos se fecham e vão.

Nestes momentos tenho sonhos bons...

Tu pegas meu corpo afadigado... e num gesto de amor e cuidado deita-me na cama,
p
ois, "rede não é lugar de dormir, meu bem".
E sinto tuas mãos tirando meus sapatos.

"Querida, vou te trocar... mas pode continuar a dormir, tá?" - ouço... lá no fundo...
E assim sei que das roupas duras e poucos gentis do trabalho, tu vestes-me de seda.
Tecido com toque singelo... macio e gelado... e assim eu me vou.

Então, com todo cuidado, tu que estavas pronto a esperar-me em casa, deitas-te ao meu lado...
Abraças-me, proteges-me... e sei que posso voar por aí, pois nada de mau vai me acontecer.

E as horas passam... e tenho a sensação de que este momento poderia ser eterno.
Ou pontualmente único, o qual se repetisse indefinidamente.

O teu cheiro me afaga...
O teu jeito me apraza.

E, dali, saio eu, inteira...
Repleta de um novo dia, cheia de energia de ti...
A espera de uma nova noite... que no encontro eu possa, também, te afagar.

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