sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Das pedras negras e brancas.

A lua paira lá no céu, no centro. Altiva e gritante: "eu ilumino, eu ilumino".
E nós abaixo. Sem nenhum questionamento pontual.
Não há: "porque não estamos acima da lua?".
Aceitamos o nosso lugar.

Neste momento, em plena Rua XV - repleta de amarelo - chamas-me para dançar.

O simples pousar de mãos ao ar, com a palma virada para cima, uma leve inclinação do tronco frente a mim... move-me em tua direção.


É como uma ímã... atração pela onda sonora que não se esvai pelo universo.

É tom que permanece. Afina-se em harmonia do encontro.

Minha mão em tom suave toca a tua. No topo, pois assim comandantes.

Ela é recebida com aprazo e com a firmeza ideal que me faz sentir mais perene.

Teu outro braço encontra a lateral do meu tronco e tu acomodas lentamente tuas mãos em meio às minhas costas.
Em um instante gentio sorrio-te. Não como as danças originais à lua. Apenas as bordas dos meus lábios projetam-se ao lado e acima proporcionalmente e ritmamente ao teu toque.

Aos sons encomendados da noite, em leve pressão, com meu corpo firme, mas flexível à vontade tua... levas-me para trás. TUM.

Apesar do salto dos sapatos meus nos petit-pavé - que se entrelaçam em sonhos e histórias - o chão parece transcrito de nuvens. TUM.

Dali já se faz um passo, meio do compasso quaternário. Desse ritmo que invade, pulsa e parece igualar-se às batidas do meu peito em encontro ao teu.

TUM e TUM.

TUM e TUM.

"Bolero, meu bem!".
"Compreendo, sinto e reajo - meu amor - ao teu tom".

E
em um suave conduzir de um giro, todos os ventos trazem-me o perfume suave das tagetes laranjas que iluminam minha terra.

TUM.

Os ventos passam e levam-me a encostar meu rosto no teu... giro completo, passar de mãos firmes em busca do início


e TUM.

Em ti, novamente.

A suave canção retorna. Mais dez passos, que comprazem com o meio da canção que se apresenta.

Tem mais três. GIRO.

Com mais sete: SETE. GIRO. Tum... tum... tum...


Tu... tu tum... tu tum... tu tum...
Tu... tu tum... tu tum...
Tu... tu tum...

Os nossos corpos se acalmam... os compassos dão indício do fim. A música se completa, o enredo se afina, os acordes dizem a Deus!

E em um passo conciso, muito gentil e levemente performático nossa dança se acaba.

Mas de se pensar que há um fim, existe o começo...

De mãos dadas, entre o alumiar amarelo e as negras e brancas pedras do chão... andamos em sentido ao encontro da próxima esquina que possa receber nossos passos.

Unidos, ritmados e em busca, porque não, do contra-ritmo, para a escrita do que é incomum.

Um comentário:

Unknown disse...

quando tava lendo parecia eu ali dançando! bom demais sô!