É cedo.
Acordo-me, viro-me para o lado e você não está.
De repente, com o vento suave que emana da paisagem da janela... sinto um bom aroma.
É canela.
Mas não vem de fora.
Entra pela porta do quarto.
Lentamente levanto-me, pois o acordar ainda está latente.
Ao arrumar a cama, dos lençóis que testemunham o nosso amor, um bilhete cai e chega ao chão:
"Refresque-se, amor..." - lá diz.
Seguindo o seu pedido, encaminho meus passos para um doce banho.
Passo pela cama, toco os lençóis... olho para o lado e vejo-me no nosso espelho.
Lá no fundo há refletida uma foto de nós dois...
O quarto emana a presença da nossa cumplicidade.
Abro a porta do banheiro e o perfume de verbena se faz presente... há luzes coloridas pelo espaço e velas perfumadas acesas.
Entro na banheira, banho-me...
Depois de certo tempo, finito o banhar-me, seco-me e visto-me...
Passo novamente pelo grande espelho e ajeito meus cabelos ainda úmidos e lá vejo outro bilhete:
"Venha até a sala, querida!"
Que faço eu? Sigo em frente tomada por amor.
Ao chegar o aroma de canela intensifica-se, mescla-se com o a essência do pão...
"Hmmm... que delícia" - penso e rio.
É manhã e a mesa está posta.
Flores, talheres, porta-pratos e velas.
Há quem diga que não há um quê de romantismo em velas pela manhã, mas não sinto assim.
Sinto-me amparada pelo inédito.
Mais alguns passos e vejo a porta da cozinha... mais outros passos e alcanço-a aberta.
Espero, chego, recosto a lateral do meu corpo no batente de madeira e te olho.
Lá está você, ainda de roupão, terminando de fatiar algumas frutas, já com o chá pronto...
"Uma pitada de anis, amor!"
E você pega a estrela-flor e mergulha-a no chá... o aroma de anis invade minh'alma.
Eu não resisto... aproximo-me e lhe proporciono um gostoso abraço... e com outro gostoso abraço correspondida sou.
Ficamos, ali, por alguns instantes e emociono-me. Meus olhos sorriem e uma lágrima de meus olhos verte.
"Eu amo você" - dizemos em coro, unidos, ao olhar um nos olhos do outro.
Saio correndo e busco a colcha verde do sofá e digo: "Verde, sorte para mim!"
Olho-te nos olhos e penso: "Eu já tenho você... não por posse, mas por opção!"
Ah...!
E as risadas fazem-se presentes.
"Sua danada, ganhou de mim" - você diz.
"Hmm... vamos saborear?" - propõe-me...
"E, há como recusar?" - respondo-lhe...
Subitamente, você me pega no colo, encaminhando-me à mesa e me acomoda na confortável cadeira de vime.
Senta-se, também, ao lado oposto, para poder olhar nos olhos meus.
E... passamos ali as horas, rindo, cantando, trocando confidências, conversando com nossos olhares os quais tanto falam sem nada dizer...
Alimentando-nos, enfim, de nosso amor ainda singelo bebê... mas que, é certo, já inicia a engatinhar...
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