quinta-feira, 6 de maio de 2010

Na bandeira do contra-mão...

As pessoas vivem dizendo por aí e cantando o que fariam diferente... que seriam mais, teriam feito mais pausas na vida, olhado mais para os lados e encantado-se mais com o mundo.

Levantando a bandeira do contra-mão - só para não perder o costume, se eu pudesse... eu queria poder ser menos, para me adequar melhor a este mundo.

Ser menos céu, mais terra, pé firme. Não me importar com os fumantes os quais jogam bitucas na rua. Não me preocupar com o imposto não pago pelas empresas. Nem me importar com o lixo nos rios. Cantar menos e sonhar menos. Sentir menos amor pelo outro e mais por mim. Não me importar em trabalhar por bem pouco, para, ao menos trabalhar mais. Não ter me preocupado tanto em ser tão boa aluna, pois, os que não foram... percorrem sucessos por aí. Ser menos ilimitada. Saber menos. Não me importar tanto com questões ergonômicas. E, também, pegar todos os flyers entregues no sinaleiro. Ser menos "alta voltagem". Não me importar em "pagar" o 'flanelinha' - deixar de acreditar que "o pagar" o mantém naquela atividade tão vil. Eu não daria tantos ois e sorrisos. E se eu pudesse seria mais fria. Enviaria respostas curtas e despreocupadas para todos. Não me importaria em repassar piadas inúteis. Gostaria de ser menos coração e ser mais razão. Não me dedicaria tanto a conversar e passar minhas ideias ao mundo. Nem me importaria mais em dedicar-me a rir das pequenas coisas, como cenas em finais de filme... as quais, hoje, realmente me emocionam. Sairia do cinema antes do término da passagem dos créditos. E nem pensaria no mundo como um ser complexo. Eu queria ser menos sinestésica e contentar-me mais com o que já tenho. Não arrumaria a fonte, cor e tamanho das minhas mensagens de e-mail. Não corrigiria erros em livros, nem reclamaria dos defeitos em produtos. Se eu pudesse, não ligaria para as confecções que vão até o número 42... e nem que as cores da moda não estão disponíveis para todos. Eu gostaria de não ligar se estou só... e se não tiver filhos. Eu teria menos defeitos. E teria comprado a máquina descartável com preço absurdo naquela loja em Salem, no Oregon. Eu teria feito mais fotos com o tema "não tenho medo de ser ridícula". E me importaria menos se alguém não gostasse de mim.

Poderia até não ser eu, mas passaria frente ao mundo de forma mais amena e perene...

E, enfim, talvez eu poderia viver... enfim.
Com muito menos. Menos essência.
Viver mais, então, do que não sou... para me afinizar ao mundo próximo, ao mundo ao qual eu pertenço e... de certa maneira, do seu jeito "meio torto", acolheu-me, aqui, junto a ele... para um crescimento em comum (ou incomum).

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