quarta-feira, 1 de julho de 2009

As estrelas...

Quando miro as estrelas, lembro de ti.
Creio que é o certo ponto da memória latente que te fez criar-se em mim.
Aquele momento no qual se fez estática a nossa imagem, ali, aqui, dentro do exato ponto que se foi.
Ali, pontual, neural loucura de avanço espacial.
Na grama futura com os filhos, correndo, rindo, loiros e morenos... e os cachinhos com olhos azuis.
Você me prendeu ali e agora, neste ponto exato em que estou, não estou. Pois, fiquei.
Que faço eu com a vida que já criei interna e serenamente com o passar dos minutos?
Não me deixe ir sem motivos ou sem razão.
Livre-me do livro, leia-me, dispa-me de mim....
Vista-se de mim. Mas não me deixe nua, sem ti, aqui.
Espaço neural de avanço no tempo que me faz retroceder a todos os pequenos, poucos e singelos momentos que tive contigo.
Ah, como é duro este espaço-tempo o qual não acontece!
Onde estou? E porque você aos meus olhos?
Tanto, tantos por aí!
E você veio e se fez em meu ser.
Ali, único, momento sereno, nuvem fugaz, olhos que escapam de mim...
Mãos que não me alcançam mais, por opção.
Mas, realmente, sabe ti o que sinto por e somente por ti?
Esse ser que me completa sem querer... sem, ao menos saber que você está aqui.
Dentro, sereno e completo.
Por favor, revolva-se ou me deixe.
E ponha um ponto final neste rondar.
AR!
AH!
[Respiro fundo].
Agora, enfim, já posso gritar.

[ao som de Gravity - Sara Bareilles - cover por Cathyn]

domingo, 31 de maio de 2009

e foi tudo em um sonho...

No encontro noturno, entre os céus... ou o além... lá esteve você e eu.

E da sua singela fala, emaneceu seu amor por mim.


E da dúvida, fez-se a certeza... no mais singelo momento único do tempo.


Te amei desde que toquei por primeira vez que toquei sua mão, lembra-se?


E você disse, e lembrei-me... estava lá na foto... era preto e branca, ou tons de cinza...


No recorte dos dedos, encaixavam-se perfeitamente os meus...


Foto da vida, do momento único a se guardar na memória.


Em outras, não era eu... força da produção, da onde, em princípio, eu não caía bem...

Mas tinha que ser eu... e no seu coração, era eu. E agora eu sei...

Mas o que faço frente ao sonho que se foi, e a lembrança que ficou?


Movo-me? Ato-me ao sonho? Mergulho no escuro claro que se acendeu?


Mas... quantos sonhos já sonhei... e quanto tempo já vivi...


E você me disse, e me beijou, eu te amo...


E me abraçou e me abarcou no seu ser... eterno...


Eterno e singelo meu.

E eu?

E eu.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ensaio sobre a burqa...

Já diria minha irmã que não existe o Oriente, que este á uma costrução mítica tanto instaurada por Delacroix como por seus comparsas... em um ato evidentemente selvagem de unir a todos em uma só massa.

De acordo, mas meu pensamento de inicia com...

Tudo que vem do Oriente nos provoca fascínio.


As vestes, vestimentas, árabes, indianos, sons feitos com a língua, a dança contida, ou de serpente... e os panos, panos, dourados, bordados, amassados, lisos, contínuos e compridos.

Ai, aqueles panos... e o próprio esconder para preservar.

Não sei se é mal de antecedente o que sinto e como ajo, mas meu povo é sírio-libanês. Ao menos, em parte.

Lá viria ela novamente me dizer... tudo é cultural, nada de explicações genéticas e tal.


Mas meu pensamento continua com...


Bom, esse corpo tem informação que pode ter sim tido mutação genética por hábitos e condutas culturais externas.

Volta e meia cubro meu rosto. Não á moda árabe ou indiana... apesar do fascínio.


Faço-o com meu chachecol ou o esquentador de pescoço, que tenho.

Então, a percepção toda muda.

Sempre preocupada com o quesito segurança, meu olhar é inquieto e os ouvidos estão sempre alerta.

Nos vidros do carro a fresta impera. O som é desligado para estacionar. O corpo reaje ao simples barulhos estranho. Os olhos espicham...

Mas, com "a burqa"... a percepção toda muda.


A visão lateral não alcança em seus devidos graus. A audição fica filtrada, tapada, velada. Enxerga-se em "uma só direção", o Norte.

Os olhares avivam-se. Não sei se por estranheza a curiosidade.
Então, pensei comigo. E, enfim, a que propósito direcionar olhar, velar audição...
A interiorização incomoda a certo, ponto...
E quem aprendeu a se guiar, consegue aprender a ser guiada?
Eterna vida de ceder-se!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Para o moço no fundo do vagão...

O que te desconcerta
Sossega ou Apressa seu olhar?

Sou eu ou a janela que se move por imagens estáticas?

Estranho teu manho.

Tuas mãos são mãos que aceitam e desconhecem.
(Tuas mãos são que acertam e desconcertam)

Agora não te vejo mais.

Por onde andam seus olhos?
(Por onde anda teu olhar?)

Parou onde? Na próxima estação?

Só o vão do ombro vermelho ficou

(transcrito ao som de Yann Tiersen)
(em janeiro/2008 - no trem - SP - ao retorno a Curitiba)
(Themis Salem)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Os nossos sonhos...

Quem não tem sonhos, que atire a primeira nuvem passageira.
Sonhos são os desejos que nos movem e parecem dar sentido a nossa vida e nossos atos.
Mas, enfim, será que é só para isso que servem os nossos sonhos?
Pergunto-me isso, atualmente. O dilema entre o dever, real, o querer ser... onde está o divisor de águas?
A plena necessidade de sustento físico, que certamente apoia o sustento espiritual, faz-se presente.
Mas é possível querer e ser, ao mesmo tempo?
Como saber? Tentando?

Eu tenho sonhos, alguns "bobos", por assim dizer. E eles me alimentam. Por vezes, consomem-me.
Consomem-me quando não consigo realizá-los. Mas, se pensarmos que sonhos são para ser sonhos... só servem para nos mover e não serem realizados... então, contradigo-me.

Meus sonhos partem dos mais simples ao mais luxuosos.
A banda de música que ainda quero ter. Minha vida como um musical. O sonho a dois e a casa com cômodos em estilo mundial. O pé-direito alto. Não o meu, o da parede. Escrever e entreter. Ensinar a ser mais, alguém, livre das amarras da vida. Os três filhos, que hão de vir. A paz, entre si e entre todos. A igualdade e não sofrimento do próximo. Andar de patins nas ruas do expresso. Dançar e dançar e dançar e dançar e dançar a vida toda, sentindo prazer e proporcionando prazer. Olhar e ser olhada. Registrar a vida do seu mais ínfimo ao mais grandioso momento pela lente angular. Beijar a sobrancelha em um ato de amor. Estar preparada para salvar vidas. Escrever e escrever e escrever e escrever mais, para dizer o que penso, sinto, vejo, indago, reajo... almejo e desejo. E assim, ser completa em mim.

São muitos, são caros e baratos... mas são meus, e por isso são grandes. São meus e por isso são preciosos...

Quem sabe um dia... quem sabe.